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Após a estreia, em São José 0x1 Sampaio Correa, no dia anterior, a quinta-feira reservava, no mesmo Castelão, Maranhão x Santa Quitéria. Um reencontro com o imponente MAC, a quem tive a oportunidade de assistir em 2000, no Maracanã, quando levaram 6 biscoitos do Fluminense, na terceira fase da Copa do Brasil. Esse jogo possui algo histórico: é, ao lado de Fluminense x ADESG (2007), a maior goleada tricolor na Copa do Brasil.

Sem o receio do dia anterior, chegamos perto do horário do jogo, compramos os ingressos sem problemas, tomamos um café na ambulante fora do estádio e entramos. Dessa vez, veio a moça sem o pai, que preferira ficar mesmo em casa. Aparentemente, apenas o setor 1 estava habilitado para o público, e o ingresso – 20 reais inteira -, mais barato que o da véspera. Nos posicionamos perto do gramado, e de lá podíamos ouvir os gritos dos jogadores do MAC, no vestiário.

Um pouco antes da partida começar, entrou a marchinha – que chamaríamos de charanga, no Rio -, tocando música de tudo quanto é época e lugar, inclusive o hit Jeguerê, canção do fim dos anos 90 e que ainda hoje paira sobre o imaginário local. Não tenho capacidade de julgar se eram ou não afinados, mas garanto que todos os instrumentos tocavam no mesmo tempo – um feito mundial.

As equipes vieram para o gramado, e a chuva, idem. Então o jeito foi subir a imensa arquibancada do Castelão e aproveitar a parte coberta. Não houve disputa de lugar, porque se no jogo da véspera 909 espíritos incorporados tinham vindo, dessa vez se notava que não chegaríamos à metade disso.

Tanto o futebol quanto o mundo têm dessas coisas, e claro que os afetados da torre teriam de entender como um MAC x Santa Quitéria, quinta-feira à noite, para um público tão grande quanto o de amigos num churrasco, poderia se tornar um jogo agradável, com alternativas. O mais incrível era – se o radialista não falhava – a equipe do Santa Quitéria ser quase um improviso. Segundo nosso respeitado colega da imprensa, o clube estreava ali, na segunda rodada, porque não teve jogadores o suficiente para a primeira partida. Se convidassem o Ionesco para fazer um teatro do absurdo no Brasil, ele recusaria: temendo ser acusado de hiper realista.

No intervalo, a fome não teve o que comer, pois só estavam à venda bebidas. Não por proibições, mas pelo fato de que, se é um público de churrasco de amigos, então cada um que traga seu farnel. Nada mais justo.

O Maranhão fez o que se esperava, venceu por 3×0, viu o Santa Quitéria perder um pênalti, e assim a vida e o campeonato seguiram. No dia seguinte, a notícia: 175 presentes, 114 pagantes. Nada como se sentir em casa.

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