leitor

No início do ano, eu e meu amigo botafoguense estabelecemos um confronto digno das manchetes de jornais, dos posts de facebook e da divisão do país: escolhemos os campeões, classificados a Libertadores, os rebaixados, os que subiriam da B para A, C para B, D para C, o artilheiro da Série A, etc. A lista foi escrita com o mais alto rigor, e estávamos, claro, certos de que imporíamos a vitória um ao outro.

Os campeonatos foram avançando, algumas coisas escapando do previamente definido, como o insucesso do Vasco – os dois tinham dito que a equipe teria a melhor defesa, e já tem a pior -, o fracasso do Ceará – que para mim era barbada no acesso à Série A e vai amargar mesmo é uma C – e outros prognósticos fajutos.

Coerentes e corretos, mantivemos as listas, sem brecha para alterações, e os resultados, rodada a rodada, batiam forte no nosso pequeno ego de especialistas sem diploma. Não é que eu me abatia, acho que nem ele, mas um incômodo, um desconforto de não ter sabido direito o futuro.

Cheio de problemas na vida, ele relaxou um pouco e se afastou da angústia do erro, até que, já com os problemas maiores e mais enrolados – o que gera a consciência da impossibilidade de solucionar o mundo, mesmo o mais próximo -, meu amigo botafoguense pegou a tabela e a encarou de peito aberto.

Inconformado, me escreveu hoje cedo, afirmando a todos os ventos – mais de quatro, sabemos disso faz um tempo – que não sabemos nada de futebol, porque colocamos Vila Nova e Londrina no rebaixamento, enquanto, na verdade, os dois subiram de divisão. Garantia saber a verdade: não sabemos nada de futebol. Insistia nisso, repetia, pudesse eu ponderar ou demonstrar as outras linhas. Eu já pensava que meu amigo botafoguense se transformava mesmo era no meu amigo capricorniano, o que, se faz dele a mesma pessoa, é só por atributos jurídicos, redimensionando-o ontologicamente. É dizer: veste outra carapuça.

Depois de tanto vai e não vai, lhe expliquei sem dramas: não é que não saibamos de futebol, porque sabemos muito, somos os maiores conhecedores que esta parca humanidade ousou acolher. O problema, o grave, é que os clubes não sabem de nós, não sabem do que conhecemos, e ficam por aí contrariando os nossos resultados.

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