messi

Antes do disputado jogo entre Arsenal de Sarandí e Fluminense, no subúrbio de Buenos Aires, a torcida tricolor se reuniu próximo a um posto de gasolina, não muito distante do famoso Obelisco portenho. Numa cafeteria de esquina, víamos o Chelsea derrotar o Barcelona, na Champion’s League. Um senhor, vestindo a tradicional verde-branco-grená, exaltou-se: “Ainda bem. Estou cansado de Barcelona, estou cansado de Messi.”, e continuou sua fala, defendendo que aquele time não era nada demais, o jogador idem, etc. Era 2012, Messi já havia estado em duas Copas do Mundo, o Barcelona já tinha conquistado muito mais que muita coisa com aquele time de toques curtos e rápidos.

Não sou em especialista em psicologia das massas, e não me perguntem por que um jogador como Messi pode ser contestado ou diminuído. Talvez pela necessidade de um herói, muito mais que a de um jogador, e, claro, herói sem título – de Copa do Mundo, no caso – não é herói. Herói com poucas fanfarronices, no estágio atual da coisa, tampouco. Herói que vomita em jogos decisivos, imagina. Pela mesma razão, ou seja, por ser humano e não herói – já sabiam os tais gregos -, Thiago Silva foi contestado, durante a Copa de 2014, porque herói não chora. Ou, num exemplo mais caseiro: Renato Gaúcho, durante disputa de pênaltis (do Vasco?), sentado no banco, sem olhar para as cobranças. “Não é postura de treinador”, bravaram.

Antes que falemos do brasileiro cordial – de corazonadas, portanto, pois cordialidade não é apenas o lado gentil -, lembro que também na Argentina Messi é contestado. Claro: nenhum vínculo com clubes locais, a não ser uma paixão não esfuziante pelo Newell’s Old Boys, da sua natal Rosario – ainda por cima isso, pois num país tão centrado em Buenos Aires, vir de fora possui suas ressalvas. Claro: títulos pelo Barcelona, mas nada de levantar taças com a albiceleste.

É verdade que, como diria o cronista – outro, também tricolor -, a unanimidade é burra. Nem sempre.

E hoje cumpre Messi seus 28 anos, à espera de uma – última? – chance de sair da categoria de jogador de futebol e se tornar “herói”, em 2018, na Rússia. Enquanto isso, ainda cabe a chance de duas Copa Américas: a atual, no rivalíssimo Chile, e a próxima, ano que vem, em espécie de “edição de luxo”, nos Estados Unidos, para comemorar os cem anos da competição.

Não cabem mais simbolismos em tão pouco mundo: conquistar um título em casa chilena seria mesmo virar herói, para um povo que até hoje traga – exageradamente – uma raiva contra o país que serviu de apoio aos ingleses, na disputa pelas Malvinas. E, não pouco: comemorar centenário sulamericano nos Estados Unidos é bem coisa de sulamericano.

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