FernandoHenrique

Meus amigos, faz um mês que terminou aquele angustiante Mundial. Teve coisa demais e alegria de menos, para quem gosta, para quem não gosta, e para quem nem gosta nem desgosta o futebol. O 7×1 e seu discurso de mudanças no rumo do mundo já foram embora e o tema da vez, neste país monotemático, ainda está por vir – a eleição se candidata com fortes chances de assumir o lugar deixado pela Copa.

Para falar a verdade, tenho a impressão de que o Mundial terminou há um mês apenas para mim e uns poucos. De resto, ele terminou no dia seguinte ou, se muito, na semana seguinte. Primeiro, porque o próprio Campeonato Brasileiro voltou na quarta, corroborando este mundo sem memória, sem tempo, sem paladar, sem tanta coisa que em algum momento formou parte do humano e já agora começa a formar outro humano.

Outrora, o indivíduo saía exausto de uma Copa do Mundo. Dispensava qualquer tipo de contato social e ruminava e remoía as experiências do mês anterior, na solidão do lar. Agora, o sujeito sai do jogo e vai fazer cálculos para saber se o governo levou mais ou menos ou se a guerra em Gaza está matando mais ou menos que a de não sei quando – ao mesmo tempo que ignora o que acontece na sua esquina. São mudanças paradigmáticas, se nos excitam certos sintagmas.

É isso, meus colegas, a frase mais dita e repetida, desde que o mundo é mundo: o mundo mudou. E eu, que não vou mudar o mundo, embora o modifique, voltarei a um estádio de futebol, hoje, quando o Fluminense enfrenta o América-RN, no Maracanã.

Parece mesmo que o luto morreu.

 

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