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Antes da Segunda Guerra, a Copa do Mundo viu o Uruguai como primeiro campeão e a Itália, bi. Houve o intervalo, e, em 1950, a competição foi retomada. De lá para cá, foi mantida a regularidade e, a cada quatro anos, vimos europeus e sulamericanos se alternando como campeões. Dois desvios: o Brasil, bicampeão em 1958 e 1962, e o recente domínio europeu: 2006 (Itália), 2010 (Espanha) e 2014 (Alemanha).

A próxima Copa será na Rússia, e nunca é demais lembrar que o único não europeu a ganhar no Velho Continente foi justamente o Brasil, em 1958. Se nenhuma seleção sulamericana ousar repetir o feito, 60 anos depois, então veremos a Europa ampliando a supremacia recentemente implantada.

Mas isso são dados, nada mais. Resta: o que fazer com eles? Coincidência? Acaso? Prova do declínio do futebol a ocidente do Ocidente? No sentido econômico, o Brasil subiu consideravelmente, enquanto a Argentina veio abaixo. Os jogadores de ambas as seleções, porém, jogam na Europa, como já ocorre há bastante tempo. Em 1994, por exemplo, o número de convocados atuando no futebol brasileiro era bastante significativo, embora a maioria dos titulares jogasse mesmo era fora. Zinho (Palmeiras) e Branco (Fluminense, entrando por Leonardo, São Paulo), valendo lembrar que os dois laterais esquerdo vinham de passagens pela Europa.

Ainda busco argumentação. Seria a nem tão boa mas velha probabilidade? A partir do modelo com 32 seleções (1998 em diante), são 13 europeus contra 5 (ou 6, como em 2014) sulamericanos. Neste formato, somente o Brasil, em 2002, foi um não-europeu a erguer a taça.

Continuam sendo dados. Poderiam ser associados a uma melhor organização do futebol europeu, no extracampo. Mas e a Inglaterra? A liga mais cara do mundo, com jogos bem disputados e de alta qualidade técnica não vê título nem sequer semifinal. E isso se estende à Eurocopa. E como explicar a Itália, sempre envolvida com corrupção e escândalos de apostas? Certo que, depois de 2006, foram duas Copas vergonhosas, duas eliminações na fase de grupos.

Alguma coisa acontece. E não sei o quê.

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