filarmonicadeberlin4

Pronto. Para quem não aguentava mais, a Copa do Mundo acabou. Só daqui a quatro anos, e bem longe – na Rússia. Além do mais, do jeito que o Brasil caminha, batendo record atrás de record, quem sabe teremos a primeira Copa sem o detentor das cinco estrelas. Parece pouco provável, pois a nossa arrogância não consegue enxergar quatro seleções sulamericanas a nos mandarem para uma repescagem, nem muito menos cinco, para nos eliminarem de vez do Mundial.

A Argentina foi longe, talvez mais longe do que seu futebol permita, e alguns dos seus jogadores, os principais, têm idade para seguir na seleção. Di María e Higuain têm 26 anos, Messi, 27. Os benfiquistas Enzo Pérez e Ezequiel Garay têm idade para continuar, e quem sabe recebem a companhia do colega de clube, Eduardo Salvio, de apenas 24 anos. Falta também conhecer o treinador. Tata Martino?

O Uruguai ficou velho, e não sei quem vem por aí. A Colômbia, pelo contrário, é jovem, e tende a vir mais forte. A Venezuela melhorou muito, nos últimos anos, e quem sabe seu governo não convence Putin a transformar a Vinotinto numa espécie de propaganda anti-qualquer-coisa ou pro-alguma-outra-coisa. Um apoio velado, aproveitando a melhora que já houve na seleção, poderia surtir algum efeito, e, em quatro anos de trabalho bem pensado, teríamos a última seleção sulamericana que falta em Copas do Mundo.

Os times bolivianos vieram bem na Libertadores, mas isso não significa reflexo na seleção. A altitude é este ponto de desequilíbrio – e precisam mesmo é de equilíbrio, porque não adianta golear nas alturas e levar passeios a nível do mar. O Equador, com uma altitude mais modesta, pode manter este futebol à base de muito contato físico, mas nunca é certeza de nada. Paraguai e Peru, fracassados na última Eliminatória, me são a mais grandiosa incógnita.

O Chile deve estar pensando mais na Copa América, ano que vem, do que num projeto de quatro anos. Falta-lhes este campeonato, e podem aproveitar a combinação fator casa+ressaca da Copa dos concorrentes mais diretos, com exceção da Colômbia, ainda motivada. No caso do Brasil, é mesmo uma oportunidade para começar a montar a sério uma seleção que, hoje, não tem sequer onze jogadores realmente aptos.

Pronto. Acabou a Copa. Uma pena não haver uma pausa, e já nesta semana temos a volta do Campeonato Brasileiro. Para quê? Para quem? A necessidade de um mundo sem chance de respirar, sem sabor – porque não degusta. E sem degustar, de nada se gosta, pois se vai tudo goela adentro.

kaspar hauser

As monotemáticas redes sociais começarão a esquentar seus cânticos em forma de memes, matérias forjadas e estatísticas sem contexto, para abordar – ou abortar? – as eleições. Quem tentar promover algum debate mais sensato, corre o risco de ser agredido ou de sofrer com a indiferença alheia. Na verdade, a Copa que acabou foi outra, a de times em campo, porque a da marca registrada será certamente chamada para as eleições. E jogará dos três lados.

Em tempo de tantos moralistas, eu fico com a moral do jornalista inglês Tim Vickerey: “A grande verdade do futebol é que o craque aparece quando o lado coletivo tiver (sic) acertado”. Não sei como ele justificaria os fracassos ingleses no futebol, mas, pensando num país – o Brasil – de profundo desprezo coletivo, é mesmo de se imaginar quantos craques ficaram pelo caminho. E não falo de futebol.

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