fuessli

O número quatro feito coisa
ou a coisa pelo quatro quadrada,
seja espaço, quadrúpede, mesa,
está racional em suas patas;
está plantada, à margem e acima
de tudo o que tentar abalá-la,
imóvel ao vento, terremotos,
no mar maré ou no mar ressaca.
Só o tempo que ama o ímpar instável
pode contra essa coisa ao passá-lá:
mas a roda, criatura do tempo,
é uma coisa em quatro, desgastada.

João Cabral de Melo Neto

 

Pronto. O bom futebol colombiano parou no Brasil. O surpreendente México da muralha Ochoa caiu diante da Holanda, numa virada parecida com a do Manchester United sobre o Bayern de Munique, na final da Liga dos Campeões, em 1999. A mesma Holanda sofreu, mas passou por cima desta Costa Rica admirável: derrotaram Uruguai e Itália, empataram com Inglaterra, Grécia e Holanda. A pretensa sensação, a Bélgica, não foi nada sensacional, e somente a partida contra os Estados Unidos deixará saudades. A França fez mesmo o que tinha de fazer e parou onde tinha de parar. Pinilla poderia ter sido mais preciso e acabado com o Brasil, mas não o foi, e o Chile foi valente – e eliminado.

Quatro seleções tradicionais terão direito a sete jogos na Copa, sendo dez títulos mundiais distribuídos entre três delas. A quarta, a Holanda de três finais perdidas (74, 78, 2010).

As duas seleções sulamericanas sofrem: Di María, imparable, foi parado pelo seu próprio corpo, e não joga mais. Neymar, também fora, num lance forte, mas não criminoso – como quer a péssima imprensa brasileira – diante da Colômbia. Thiago Silva só volta para fazer a decisão do terceiro lugar ou a final. Ou seja: o capitão, o homem que pode erguer a taça, será um torcedor, na véspera desta coisa tão aguardada por ele.

copa1974

A final de 74 pode não apenas acontecer, como pode ter seu resultado repetido – e é esta a minha aposta. Há quem veja a Holanda entrando para o hall de campeões. Um prêmio a Maurício de Nassau?

Para a terça, acredito que Lahm jogue adiantado, para explorar os erros de Marcelo; e Neymar realmente é uma perda, num dos jogos em que mais se dependia dele: um drible para quebrar o sistema defensivo alemão.

Para a quarta, é mais torcida que confiança, pois, por alguns motivos que não interessam ser expostos aqui, prefiro a Argentina campeã em 2018, com Messi metendo 14 gols, quebrando record de Fontaine, Ronaldo (ou Klose), e tudo mais. Robben e Van Persie, para cima daquela defesa argentina…Quem sabe, quem sabe…

No mais, é ficar montando as cenas, os gols, as jogadas, as experiências pessoais, que ficaram nestas últimas três semanas, incluindo, no caso de quem escreve, uma viagem a Cuiabá.

Há muita coisa para a escrita histórica, o que, mais óbvio que a obviedade, não se relaciona apenas a um “positivo”. O viaduto em Belo Horizonte – justo na cidade da semifinal – tem esta página de uma incompetência impune. Cairá a seleção no lugar do viaduto?

lunaavellaneda

Anúncios