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Primeiro dia sem jogos, desde o início da Copa do Mundo. Uma pausa importante, conhecida pela música. Um silêncio, algo também importante no diálogo. E em tantas esferas desta vida. O mundo da velocidade e dos textos mal lidos exige mais, e um dia sem jogo precisa ser preenchido, em programas de TV, jornais, portais e o que mais seja, com milhares de informações que nada formam, ou, pior, formam um bolo de coisas deformadas.

Neste dia de pausa, cabe ao cronista uma prova de música, de flauta, especificamente, como coube, ontem, uma prova teórica. Cabe tratar de temas burocráticos, de datas de apresentação de livros, de campos de força para um minicurso, de encontros com amigo, de paixões sem esperança.

Cabe imaginar, neste primeiro dia de oitavas de final, amanhã, que uma mini Copa América estará em disputa, com Brasil x Chile e Uruguai x Colômbia. Também, que será véspera de Holanda x México, que poderia ter os espanhóis em campo, num duelo monolingue e comemorativo: dia 29 de junho de 2008, a Espanha conquistava, em Viena, sua segunda Eurocopa. Ou pensar no dia 30, em que a Alemanha entra em campo, certamente sem lembrar do 30 de junho de 1996, quando Bierhoff marcou o gol de ouro que decidiu a Eurocopa. Primeira e única experiência daquele tipo, pois viram a importância dos pênaltis e a maldade do tal ouro.

Dois africanos, de escolas bem distintas, entrarão em campo, também dia 30 de junho. Não são os favoritos contra o centro econômico da Zona Euro, e, no dia 1 de julho, a negação desta zona, a Suíça, juntará os idiomas francês e alemão – com alguma sobra italiana – para enfrentar a Argentina, a do melhor jogador da atualidade, e a de uma inflação perversa para seus habitantes, com exceção, claro, para os que gozam destes ganhos.

O fim das oitavas porá outra mistura linguística, a belga, numa confronto Parlamento Europeu x Casa Branca, para quem gosta de pensar nestes engraçados encontros. No futebol, nada disso, e imigrantes – como ocorre com os helvéticos – tentarão levar um nome, não um país, a estar entre os oito melhores.

arcadia

Um tal berço grego estará do lado oposto de um futuro – eterno futuro – brasileiro. Deve ser o único país a causa temor em Luiz Felipe Scolari, ao pensar dez anos atrás, na Luz.

Não sei se a linguagem do futebol é universal, como gostam de dizer os comentaristas. Nem mesmo sei qual a universalidade da linguagem dos corpos. Línguas há, decerto. E que se encontram e se misturem. Por todos lados.

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