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Foram 31 textos até chegar a este, a dois dias do início da Copa do Mundo. Dois foram escritos por Marcelo Paes (Bósnia e Equador), e três seriam de outro rapaz, quem põe fichas na Suíça. Ele não escreveu, e não sei que tipo de augúrio estará reservado aos helvéticos. A brincadeira foi séria, e minhas expectativas e preferências ficariam evidenciadas. Vi muitos jogos, pelo youtube, para tentar diminuir o “opinismo”. Mas falharei, acredito, desde a fase de grupos até a final. De todos modos, no que diz respeito a este mundo cá, a Alemanha vinga 1982, e derrota a Itália, dia 13 de julho, no Maracanã.

Gostaria de contar outra história. Mas acabo na mesma. Ou seria possível não falar de minhas piruetas no sofá da sala, uma semana antes do meu sétimo aniversário, a cada gol alemão, na final contra a Argentina? Ou da disputa de pênaltis entre Brasil e Alemanha, na semifinal das Olimpíadas de 88? E aquela campanha de 1990, com direito a aulas do colégio devidamente “matadas”? E da decepção de 94, da humilhação em 98…? Se não é essa a história que quero contar, qual, então?

De repente, a do dia em que um alemão me disse “geh nach Istanbul” (“vá para Istambul”), após VfB Stuttgart 4×1 Werder Bremen. Confundiu-me com turco, decerto. E mostrou uma cara perene da Europa. Talvez menor, mas presente e atuante. De repente, posso contar da caixa de supermercado que tratava mal a qualquer cliente que não aparentasse traços, digamos, germânicos. Mas isso, claro, são coisas individuais, mesmo quando referidas a um povo. E povos, ensina-nos Hanna Arendt, não são para ser amados. Porque amamos pessoas, ou, até, uma seleção.

Dois anos e meio de Alemanha me deram o suficiente para continuar a admirar a Nationalelf, ao mesmo tempo que não ligo nenhum ser a uma designação tão frouxa quanto brasileiro, alemão, argentino, turco. Culturalmente, claro, haverá traços, educação, tanta coisa. Mas a fragilidade disso, se algum dia for demonstrada, talvez permita a um mundo em que uma Copa do Mundo não será nada mais que disputa simbólica, longe de apelos nacionalistas – por si, simbólicos, embora de outra ordem.

Auf geht’s Deutschland, schiesst ein Tor!

 

É ele!

Miroslav-Klose

Que baterá o record de Ronaldo.

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