World Cup Final. 1930, Uruguay. The Centenary Stadium, venue for the first FIFA World Cup Final.

O Brasil tinha perdido uma partida de Eliminatórias pela primeira vez, na Bolívia, e havia certo risco de, também pela primeira vez, ficar fora de uma Copa. Parreira convocou Romário, o Maracanã ficou abarrotado, e eu, meu amigo flamenguista Heleno de Freitas e meu amigo tricolor Jefte Pinheiro vimos, pela primeira vez, um jogo de seleções in loco. Brasil x Uruguai, da eterna mística do Maracanazo.

Siboldi pegou tudo no primeiro tempo, a ponto de eu vir a herdar este nome para as peladas na praia: após qualquer defesa, gritava “Siboldi”, e isso virou não apenas meu apelido, mas designação de respeito às minhas capacidades como guarda-metas. No segundo tempo, Romário fez dois, a coisa se encaminhou devidamente e estava tudo resolvido, num tempo em que eu e meus amigos pudemos entrar no estádio com mochilas cheias de comida, para evitar gastos superfaturados. Faz 21 anos.

Minha segunda partida de seleção, já sem meus amigos ao lado e com um público bem inferior, foi no Maracanã outra vez, també pelas Eliminatórias, também com o Uruguai: 1×1, em que o gol visitante viera de uma falha absurda do zagueiro Aldair.

Não voltei mais a ver a equipe celeste ao vivo. Em 2011, cheguei a Buenos Aires, para morar, um dia depois da conquista charrúa, ocorrida enquanto eu e o filho do meu amigo poeta estávamos em Volta Redonda, para Fluminense x Palmeiras. Antes de subir no ônibus e retornar ao Rio, recebi mensagem de celular: 3×0, Suárez e dois de Cachavacha (Forlán). Comunicado que encontrou simpatia entre os demais tricolores do ônibus.

Na última Copa, eu estava na Alemanha, ouvindo o narrador alemão deliciar-se com a queda uruguaia diante dos holandeses, na semi-final. Era uma espécie de supremacia do povo europeu ou qualquer coisa no estilo. Na decisão pelo terceiro lugar, houve menos afetações deste tipo, talvez por ter sido comercialmente mais interessante destacar os méritos alemães, mais uma vez no pódio. Ou talvez tenha sido pelo nervoso do jogo, um 3×2 com o susto de estar perdendo por 1×2, e o susto de levar uma bola na trave, no último minuto, em cobrança de falta de Forlán.

Desta vez, no Brasil, não irei a nenhum jogo deles, mas verei pela televisão, pensando que a vaga num grupo com Itália, Inglaterra e Costa Rica seja possível. De repente, pode haver um Colômbia x Uruguai, nas oitavas. O time cafetero é melhor. Mas lhe falta camisa. O que pesa mais?

 

É ele!

Edison-Cavani

Em queda desde de que foi eleito o melhor jogador da Copa, em 2010, Diego Forlán é um jogador para ser sempre respeitado, mas não pode ser considerado o “é ele” uruguaio. Outro Diego, o Lugano, possui liderança, mas tampouco apresenta o mesmo futebol. Luis Suárez foi sem dúvida o maior nome charrúa na temporada, tendo feito excelentes partidas pelo Liverpool, tendo marcado gols surpreendentes, não pela beleza, mas pela inteligência. No entanto, sua preocupante lesão abre uma brecha para que Edinson Cavani esteja aqui. Sua fisionomia sempre séria, introspectiva, faz pensar que seu nível de concentração no jogo é altíssimo. Em tempos em que alguns atletas parecem jogar para as câmeras, Cavani parece jogar apenas dentro do campo, suprimindo tempo e espaço exteriores.

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