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Texto dedicado a Nicolás Barnao e Magdalena Mazuelos, chi-chi-chi-le-le-le, viva Arica

Todo brasileiro escolarizado tem este país na cabeça, quase como mantra para as aulas de Geografia: um dos dois países sulamericanos que não fazem fronteira com o Brasil. Todo liberal, também, devido à longa tradição dos andinos com este pensamento. Todo revolucionário, idem, porque Víctor Jara, Violeta Parra e o contraponto Pinochet estarão na memória. Se a atual presidente, Michelle Bachelet, conseguirá o que não conseguiu Salvador Allende, saberemos em algum futuro. E no futebol, claro, Roberto Rojas, protagonista da farsa no Maracanã, em 1989, nas Eliminatórias para a Copa.

Ninguém consideraria a seleção chilena como um saco de pancadas, mas é interessante notar que, apesar de algum futebol bem apresentado aqui e ali, jamais foram campeões. Peru, Bolívia, Paraguai e Colômbia, porém, acompanham as forças Brasil, Argentina e Uruguai, no hall dos campeões (da Copa América).

A mística não lhes favorece, neste Mundial. Embora tenham caído num grupo forte, o problema maior não é este, mas o que pode vir a seguir: o Brasil, possível cruzamento nas oitavas de final. Em casa, em 1962, chegaram perto da final, mas um 2×4 para os brasileiros lhes tirou o sonho. Nas duas últimas presenças, em 1998 e 2010, ficaram justamente pelas oitavas, por causa do Brasil: 1×4 e 0x3.

Apesar de toda a polêmica histórica envolvendo o Chile e a Argentina, devido à Guerra das Malvinas, é no país vizinho que os chilenos buscam nomes para seu futebol. Os últimos três treinadores vêm de lá: Marcelo Bielsa, Claudio Borghi e o atual Jorge Sampaoli.

O time é bom, joga com a bola no chão, tenta troca de passes rápidos, como fazia a Universidad de Chile, comandada pelo próprio Sampaoli, e alguns nomes podem mudar um jogo, como Alexis Sánchez e Eduardo Vargas, além de atletas corretos, como Mauricio Isla e Marcelo Díaz. O problema é lidar com o temperamento de gente como Jorge Valdívia, Gary Medel e Jean Beausejour.

 

É ele!

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Por muitos anos, Arturo Vidal atuou no Bayer Leverkusen, e isso lhe conferia uma espécie de “síndrome chilena”: bom jogo, nenhum título. Em 2011, saiu da Alemanha e foi para a Itália, jogar pela Juventus, manter – e mesmo melhorar – seu nível e, sim, conquistar campeonatos. Quando Borghi inventou de deixá-lo atrás da zaga, na partida de Eliminatórias, contra a Colômbia, o resultado foi uma catástrofe: pela atuação do time e pela derrota. Com chute forte, preciso, bom passe, capacidade física para armar e marcar, Vidal tem de jogar no meio do meio. Se o Chile for mais longe do que pressupunho, “Rey Arturo” poderá figurar na seleção da Copa.

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