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Luxemburgo arriscou. Sem opções para a lateral-esquerda, devido à lesão de Carlinho e a um Ronan ainda não totalmente recuperado, decidiu não escalar o lateral-direito Igor Julião, como de praxe, e lançou o zagueiro Anderson naquele setor, no Fla x Flu do último domingo. Não funcionou. Bastaram dois lançamentos cruzados e uma triangulação rubronegros para que o perdido defensor chamasse a atenção dos torcedores, dos companheiros, e, não menos, do próprio Luxemburgo, quem aproveitou uma breve paralisação para atendimento a um contundido e fez miniconferência à beira do gramado.

No segundo tempo, Luxemburgo continou arriscando, já sem Anderson, substituído, e com a lateral-esquerda em ciranda cirandinha. Igor Julião acabou por ali. E foi dele um chute que muito nos lembrou o de Rafael Sóbis, o de empate contra o Grêmeio, aos 40 e tanto: um desvio no defensor, uma trajetória em parábola de basquete e cesta, tendo, por delicadeza, batido na trave, antes de deslizar na rede.

O chute de Julião encontrou a linha de fundo. Escanteio, aos 40 e tanto, de uma partida escrita para o 0x0. Se havia sido ruim a vitória vascaína no dia anterior, pelo menos somávamos um ponto e seguíamos acumulando, de empate e empate, a bolsa que, no final do campeonato, quereremos trocar por uma vaga na Série A-2014.

Em 83, no famoso gol de Assis, o jogo também estava com os moldes do 0x0. Basta revê-lo, na íntegra, e desconfiamos até mesmo dos resultado escrito nos livros de história. Nada acontece. Há um marasmo infinito, o cronômetro é apenas uma distração. Os corpos e a bola vão de lá pra cá, sem muita pronúncia. Delei pede a bola, recebe de Duílio, lança. Assis domina e, o resto, sabem todos. Raul, no gol.

Penso que é Sóbis quem se prepara para cobrar o escanteio. Pode ser isso: um 0x0 anunciado e o nosso gol, aos 40 e tanto, e respondemos ao Vasco, passamos o Bahia, abrimos vantagem para Criciúma e Ponte Preta. A defesa afasta. Perdemos a chance, não é mesmo boa a nossa fase, 2013 não é 83, sequer o Maracanã é Maracanã, a Suderj não informa mais nada, sequer existe, vivemos no mundo S/A.

Um contra-ataque em ritmo flamenguista atual: cavalaria que impõe a bandeira e atropela os adversários, oferecendo a misericórdia pelos pés de um cidadão nascido em Bom Jesus da Lapa. 1×0. No lado tricolor, olhávamos, incapazes de dizer algo, de pegar a última pedra e atirá-la.

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