A dramatização não é nenhuma novidade na experiência humana de lidar com os acontecimentos e com os outros. O que talvez a época mais recente tenha elaborado é justamente o hiperbólico em todas as direções, incluindo o drama.

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Não é a partida de logo mais, que, à leitura desse texto, será provavelmente partida passada, um jogo do século, como quis certo jornalista, ao entrevistar Neymar. Tampouco será confronto dos mais esperados, ainda que seja muito benvindo. Será – ou esperemos que seja – um bom jogo de futebol e uma boa etapa de preparação da seleção brasileira rumo a 2014. Para a Espanha, caso o modus operandi de Felipãp funcione, será um jeito propício, num momento adequado, de repensar suas armas e armadilhas para 2014. Eu insisto que uma equipe adversária com bom 9, e bom sistema para esse 9, pode complicar bastante a defesa espanhola. Não pude ver isso na semifinal, haja vista que meu colega de signo, Gilardino, não é nenhum Balotelli.

O passado das Copa das Confederações também nos indica o pouco da partida de hoje, se o que nos interessa, no ambiente seleções, é a Copa do Mundo. Não repito a mística, a válida mística, dos campeões do ano ímpar não se consagrarem no ano par. Prevejo mesmo a evolução/transformação das equipes, nesse um ano que separa os dois torneios. 2005 terá sido exemplo gritante, depois da atuação magistral do Brasil na préCopa alemã. Ou 2009, e aquela semifinal Espanha x Estados Unidos.

As próprias Eliminatórias costumam dizer que há uma enorme diferença entre torneios. Recordemos Colômbia 1994, Argentina 2002, e, como não, a Itália, vez ou outra complicada nos rodadas prévias, incluindo a fase de grupo dos Mundiais, e logo decidindo coisas, a ponto de ser a segunda maior ganhadora da competição, com quatro títulos. Sequer a Alemanha, regularíssima, possui tal número: são três conquistas, somadas aos quatro “quases” de sua história (66, 82, 86, 2002) e dos recentes terceiro-lugares (2006 e 2010).

Seja qual for o resultado, a chamada grande mídia explorará o esvaziamento da linguagem, dramatizará longe dos dramas, apropriar-se-á de fortes termos na nossa história, como “épico”, “trágico”. Caberá ao leitor – de futebol e não só – refletir com mais afeto e menos afetação.

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