Um zagueiro precisa saber o momento de antecipar-se à jogada. Um zagueiro-cronista, também. E após o amistoso Brasil x Inglaterra, no 2 de junho, soube esperar o texto do meu amigo poeta, agora também amigo cronista. Publicada no sítio-facebook da rádio para a qual atua, aos domingos, e escreve, seja quando, sua crônica coincidiu com parte do meu pensamento. Ou partes. Primeiro, porque apostou em revelar o óbvio, algo aparentemente óbvio, mas tão fora das vistas. Segundo, chamou de Arena da Grande Tijuca o que o público e a imprensa em geral insistem em chamar de Maracanã.

Sabe a humanidade que eu anoto os jogos frequentados. Alguns sabem até de certos detalhes, como o Maracanã 299 jogos e a ânsia pelo 300, que carrego desde que o fecharam para essas intermináveis e superfaturadas obras. Mas somente os atentos sabem que morrerei longe do Maracanã 300, efeito e marca propícios para esse texto, não fosse o fim do estádio. Não quero discutir hierarquias, se era melhor, pior, se fosse o que fosse. Não é. Não é mais. Reside no mesmo endereço e possui alguns traços em comum, visto de fora.

A ida, no metrô, já me indicava o primeiro engano: eu tinha comprado ingresso para um jogo, mas me metia em uma festa. Desagradável. E para que fosse menos, executei a experiência das 669 partidas anteriores e criei um invólucro.  Sou pouco satisfeito a coisas assim, a essas separações que por vezes me soam arrogantes. Mas cabe: não seria arrogância alheia exigir-me festa onde se joga jogo?

Não sei se torço para o Brasil. Acredito que não. Nos cinco anos em que morei no exterior, exigia-me mais, porque era preciso evitar o tom de inferioridade – na época europeia – e a chatice da gozação barata – nos tempos argentinos. Talvez, eu queira mesmo que o Brasil vença, como quero, agora, que o Atlético-MG seja campeão da Libertadores. Mas isso não é torcer, que me perdoem os que não torcem e se dizem torcedor. E se digo tudo isso, é para recuperar o invóclucro: 1×2, os ingleses em cantoria, ainda dez minutos para evitar uma derrota na primeira partida da Arena da Grande Tijuca, e pessoas sorridentes começam a deixar o estádio. Param e fazem poses para foto, com o gramado como fundo. Repito, saliento, realço: o gramado como fundo é onde estão os 22 jogadores que, no caso amarelo, carregam uma derrota parcial. O que que tem? Nada, quando a festa é o que vai rolar e o jogo jamais começou.

Comemorei o empate, o belo gol de Paulinho – quarto belo gol em partida de quatro gols. E senti falta de quando me abracei a um desconhecido para chorar o título carioca de 2005. Enquanto minha então namorada dava saltinhos, feliz, entendendo que aguar a festa é redundância.

(Dedico esse texto a Ana Paula Lima, Bibiana Ruiz, Luis Maffei, Vinícius Mitchell, Ingmar Maffei, Miguel “Pelado” Rodríguez, Jefte Pinheiro Jr. e a quem goste o futebol)

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