Em pouco mais de uma semana, começa mais um Campeonato Brasileiro. Quase ao mesmo tempo, termina a temporada europeia, já com os campeonatos mais expressivos conhecendo seus campeões – em alguns casos, conhecem até o(s) classificado(s) para a Liga do Campeões, os rebaixados e, se fica alguma disputa, é por vagas na Liga Europa.

O futebol europeu anda à frente do praticado do outro lado do Atlântico desde do surgimento do esporte em si. Perderam nove Mundiais, bem verdade, como também perderam algumas disputas diretas – no ida-e-volta, no Japão e, mais recentemente, no torneio itinerante. E por que anda à frente?

Fora das quatro linhas, sem dúvida. Embora isso inclua um número bem reduzido de países, haja vista que no Leste europeu a coisa ainda está longe de ser razoável. Não falo apenas do quesito violência, que parece ser único que importa ao discurso mais apressado. A manipulação de resultados é um problema ainda sério por aqueles lados, envolvendo, inclusive, partidas da fase eliminatória da Liga Europa. E no campo de jogo?

Até os anos 80, quando importar jogadores era algo restrito – na verdade, somente após a União Europeia foi possível importar em massa, devido à regra, ainda vigente, de três estrangeiros por partida. Quando o holandês Milan (Rjikaard, Van Basten e Gullit) enfrentava a alemã Internazionale (Brehme, Matthäus e Klinsmann), a cota estava preenchida. Hoje, nem holandês nem alemão são estrangeiros, na Itália. Sem falar nos passaportes portugueses de atletas brasileiros e espanhóis e italianos de atletas argentinos e uruguaios, por exemplo.

Volto: até os anos 90, não se importava tanto, e não sei se o futebol de campeonato era, lá, melhor que cá. Hoje em dia?

O futebol alemão é bem jogado, difícil que haja partidas chatas. O mesmo, no inglês. O italiano oscila, principalmente, pela característica extremamente defensiva das equipes da Bota. O espanhol deixou de ser tão viril e se disfruta mais. Mas há algo que pode incomodar ao torcedor brasileiro – ao argentino também, ao uruguaio, de certa forma. Observo os torneios dos países já campeões do mundo. Graça?

O francês é o único verdadeiramente equilibrado. De 1994 para cá, foram dez campeões, e isso considerando o domínio do Olympique de Lyon, vencedor por sete vezes seguidas. Na Espanha, sabemos que dá Real Madrid ou Barcelona, exceção para quatro oportunidades, desde então: Atlético de Madrid, 1996, La Coruña, 2000, e Valencia, 2002 e 2004. Ou seja, a nove temporadas, nenhuma surpresa. Na Inglaterra, foram, também, cinco campeões. Mas é preciso estar atento: o Blackburn Rovers, e, 1995, ao ficar um ponto à frente do Manchester United, e, sobretudo, a aparição de Chelsea e Manchester City (esse, com apenas um torneio, em 2012), após chegada de investidor, querendo brincar de soccer manager. Na Itália, também cinco campeões, considerando um título para Lazio, 2000, e Roma, 2001. Fora isso, Juventus, Milan e Internazionale, como de praxe. Na Alemanha, um pouco melhor que isso: seis ganhadores. As duas supresas Kaiserslautern, 1998, e mais ainda o Wolfsburg, 2009, ajudaram. Desde 1994, o Bayern jamais ficou três temporadas em branco. Esse ano, construiu uma vantagem superior a 20 pontos para o segundo colocado, o até então bicampeão Borussia Dortmund. Por aqui?

O Uruguai, cuja população não chega a 4 milhões e cujo campeonato nacional é praticamente um torneio de Montevidéu, repete o equilíbrio europeu. Ou Nacional ou Peñarol, com duas chances dadas ao Danubio, 2004 e 2007, e uma ao Defensor Sporting, 2008. A Argentina teve 12 campeões, mas é preciso considerar bem a coisa. Afinal, são dois torneios por ano – o equivalente, no Brasil, a ser campeão de turno. Com isso, não surpreende ver o Banfield na lista, ver o Lanús, o Arsenal e até mesmo o Racing, tradicional equipe que ficara de 1966 a 2000 na espera de um título. No Brasil?

Foram 11 campeões, e entre 1994 e 1998, nenhum se repetiu (Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Vasco, Corinthians). De fato, houve apenas um bicampeonato, o do Timão, 98/99, e um tri, conquistado pelo São Paulo 2006/07/08. Quando começar a edição de 2013, teremos alguns favoritos, certamente bem mais que duas equipes, incluindo o Atlético-MG, vencedor em 1971, o Internacional, sem vencer desde 1979 e o Grêmio, fora da lista desde 1996. Como versa o lugar comum, é um campeonato imprevisível.

Claro está, futebol não se deixa reduzir a variáveis, a estatísticas. Deve-se falar de qualidade, certamente. Porém, não custa lembrar: uma das graças do esporte é, mesmo, a disputa. Desde que a haja, claro.

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