Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.

Estes versos são de Carlos Drummond de Andrade. Não era carioca, mas, como lá o puseram na praia de Copacabana, cabe pensar: muito mais que liberdade do jogo, lemos uma estranha realidade citadina. Não inédita. Basta lembrar de 1992. Basta lembrar de 2005. E não custa olhar ao redor, em 2013.

Quando o Fluminense entrar a campo, hoje à noite, para enfrentar o Caracas, pela sexta e última rodada do grupo 8 da Libertadores, alguns terão o coração preso naquela Copa do Brasil, naquela final, naquela derrota para o humilde Paulista. Porque é São Januário, porque, no Rio de Janeiro, não há onde jogar, senão na casa do Vasco, adversário que desde os anos 90 não é bom presságio.

Algum otimista, pois sempre os há, terá em mãos a súmula de Fluminense x Ponte Preta, no Brasileiro do ano passado, quando da virada importantíssima e os três pontos que mantiveram o clube na via do título. Lembrará que o problema é Volta Redonda.

Também não se pode ignorar o processo que o meretíssimo Sorrentino sofre: dono de uma vexatória campanha como torcedor no Engenhão, está sendo acusado de ser o maior responsável pela interdição do estádio. Dizem que foi ele o mandante do crime, ao ordenar a retirada de zinco das estruturas do ex atleta tricolor – ou do que seu nome leva. Outros dizem mais: mandinga. O que ninguém explicou ainda é por que haveria ele de tomar tal medida, se, no final, ele prejudica mais o clube que a si. Sorrentino alega que São Januário não pode ser pior, na Libertadores, que Engenhão, se pensarmos em Libertad e Boca Juniors. Com bravura, ele aponta para os autos processuais.

Um grupo de camisas largas e andar cambaleante avisa: parem com isso. O Maracanã, se servisse, não teria nem LDU nem, pior ainda, Ferro Carril. Nem Deportivo Italia, da própria Venezuela. A derrota por 1×0, em 1971, foi, segunda consta, a única de times brasileiros para equipes venezuelas, em território pátrio. Levante o dedo quem soube outra.

E de qualquer maneira, enfrentar o 18 de abril é muito mais que estar no estádio dos outros, chamando aquilo de partida em casa: se o grupo do Palmeiras não ajudar, o Fluminense, caso vença, sai como pior primeiro colocado, enfrenta o Tijuana, do México, naquele campo de pelada deles, aquela coisa com grama sintética, a que os trabalhadores usam nas suas reuniões pós-laboral ou nos fins de semana. E, não bastasse, classificar-se significa ter São Paulo ou Atlético-MG. E, não, não basta: chegar à semifinal é enfrentar Corinthians ou Vélez Sarsfield.

São Januário nos é ruim até com vitória.

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