VelezFluRepetirei: em 2007, na minha viagem futebolística a Buenos Aires, cumpri 27 partidas em 32 dias, atuei algumas vezes como jogador do time estrangeiro na pelada dos moradores da hospedaria, em Barracas. Jogávamos debaixo de um viaduto, que, anos mais tarde, seria tomado por moradores de rua e, recentemente, voltaria a ter as traves e a quadra não pintada. O último jogo, naquele ano de relações em fim e relações alheias que se cortavam e se renovavam para o que pudesse ser o posto do eterno, foi um River Plate 5×0 Vélez Sarsfield.

Altero: cheguei a Buenos Aires a 25 de julho de 2011, imaginando que significasse aquilo um lugar de breves eternidades. Não o foi. E entre a casualidade e o propósito, quis ser Ferro Carril Oeste 0x0 Douglas Haig minha última partida, num 18 de março, data para mim sempre memorativa: em 2008, chegava por primeira vez à Europa, em busca de estudos. A equipe de Caballito atuou com muitos jovens, após ter afastado boa parte do infrutífero elenco.

Interessam: os dois jogos anteriores, de 16 e 17 de março, pelo peso do símbolo e das marcas que não são logo, mas tintas eternas. Sábado, Lamadrid 0x0 JJ Urquiza. Despedi-me dos amigos que fiz ao longo daquele pouco mais de um ano, quando o clube ainda jogava a Primera B, antes do aguardado rebaixamento de uma equipe de baixo orçamento, poucos sócios, vizinho da penitenciária de Buenos Aires e humildes instalações. Um grupo, não de barras; sem bravas, mas bravura de estar-ali cada sábado em que o Carcelero enfrentasse muito mais que 11 do outro lado. Cinco companheiros que formamos, entre improviso e vontade, la banda de la parrilla.

Recupero 17 de março: Vélez Sarsfield 1×1 Estudiantes de La Plata. Cheguei tarde, por ter dispensado o ônibus e ter ido caminhado do bairro de Almagro a Liniers, algo como uma hora e meia. Tarde, em jogos argentinos, não quer dizer com a partida em andamento, mas o suficiente perto do encontro para que a entrada seja lenta, por causa de revistas policiais, aglomerações e outras incompreensões. Ao contrário do Vélez 1×0 Santos, pela Libertadores 2012, os hinchas de agora faziam calma fila e atendiam às reivindicações policiais. Com cinco sujeitos à minha frente, o policial que nos devia apalpar grita gol la concha de tu madre. Imediatamente, começa a pedir desculpas, muitas, a todos. Humilde, explica: torcedor do River, ouvira o empate pelo fone de ouvido. Ninguém se ofende, talvez pela genuína e mais que inesperada reação de um homem que deveria ser tudo menos humano. (Em casa, mais tarde, eu teria conhecimento da derrota do River, pois o gol seria anulado)

Fica: considerando o resultado de 12 de março, Almirante Brown 0x0 Deportivo Armenio, fecho este ciclo portenho com quatro empates, bem longe da protuberância de 2007.

Não me fora dado um anel de vidro. E o que não era pouco, se acabou.

Anúncios