Quando perde o Vélez, o mundo se assombra. Não que perca pouco, principalmente no Amalfitani, onde há três torneios a coisa vem cambaleante. Primeiro, em atuações intocáveis que culminavam com o andamento de um 0x0 transformado em 0x1. Logo, jogando mal e levando três de gente como Colón. Finalmente, na primeira partida em casa, no ano, a volta de ser dono de um jogo que se perde.

Veio o Independiente, cuja corda pode ser retirada do pescoço, ao final do torneio, ainda que as marcas certamente permanecerão expostas. Vem dentro da zona de rebaixamento e de haver perdido na primeira rodada, contra o Newell’s. E vem com medo, apesar de todo o discurso contrário.

Porque o Vélez desistiu de simplesmente jogar bola, coisa para os infantes, e decidiu desfilá-la. São raras as ocasiões em que um Sebá Domínguez ou um Fernando Tobio saem com chutão. E se perdem a bola, se o primeiro meiocampista a recebê-la não a domina de acordo, os corações não palpitam, porque o goleiro Sosa atua com a segurança digna de um Federer ou de um Sampras. E o time visitante, de escassos recursos técnicos, segue a bola como crianças no bobinho do recreio. Conseguem, ainda assim, uma bola na trave, em chute de longe. Recebem outro, em bola colocada por Rescaldani, que seria o primeiro gol do Vélez, não fosse marcado impedimento de Insúa, depois do rebote. Uma boba expulsão de Velázquez, antes dos trinta minutos, transforma o Independiente em duas linhas – de 4 e 3 – acompanhada por dois solitários lançados à frente: Montenegro e Farías. Fica assim a etapa inicial, com exceção do último minuto, quando de um escanteio dorminhoco surge a bola nos pés de Tula, que gira o corpo e, de cobertura – ou de cruzamento – abre o placar para os visitantes.

Para o segundo tempo, o treinador Américo Gallego impulsiona uma das novas receitas do futebol, que vi, pela televisão, no Barcelona 3×2 Spartak Moscou: o bloco uniforme, movimentando-se sincronizadamente, como um time de rugby, em uma linha de 5 e outra de 4. Com um a menos, o Independiente faz 5-3-1, com Farías parado sobre a linha de meiocampo. Teria funcionado nada, se Rescaldani fizesse o que já estava mais que feito: o gol. Após receber bom passe e ficar a sós com o goleiro, dribla-o, tem o gol aberto, livre, sem graça à sua frente. Não chuta. Caminha com a bola, não sei se feliz ou incrédulo. Chega um defensor e, de carrinho, manda a bola para escanteio.

Em três jogos oficiais, em 2013, o Vélez terminou todos 1×0 (uma vitória e duas derrotas). Contra o Deportivo Iquique, na quarta, terá de recuperar-se da queda no Equador e, pelo menos, igualar o placar global, se quiser degustar um ano até agora em banho-maria.

Anúncios