No próximo fim de semana, começam os campeonatos estaduais, no Brasil. Aquela coisa entendível apenas a 1% da população estrangeira, não interessando se sulamericanos, europeus, asiáticos, africanos ou jogadores de rugby da Oceania. Explicar pelas dimensões continentais do território nacional, não ajuda, porque EUA, Rússia, China, Índia, Austrália, Canadá, de futebol, pouco sabem. E a Argentina, oitava desta lista, tem um campeonato de primeira divisão que mais parece um estadual (13 dos 20 clubes são da capital ou da Grande Buenos Aires).

Também não ajuda, na hora de querer que um estrangeiro entenda a condição brasileira, mostrar-lhe uma lista do Campeonato Paulista, cujo número de equipes participantes é o mesmo que o da Série A nacional. Por mais que a indústria, o neoliberalismo e o tamanho do estado o ajudem, uma conta não bate com a outra. Dos vinte, apenas cinco disputam a primeira divisão nacional, e outros cinco, a Série B.  Para não fazer por menos, o Rio de Janeiro, sem um representante sequer na segunda divisão do país, faz um estadual com 16 (!) equipes.

Por outro lado da coisa, a velha discussão se esses torneios deveriam acabar ou não. É esquerdista argumentando em favor da direita e direitista com preocupações de esquerda. Há um terceiro grupo, como sempre, e, ainda, um quarto, que avalia e declara a inexistência, na atualidade, das posturas separadas entre esquerda e direita. As frases mais ouvidas são “o mundo mudou”, “querem acabar com os pequenos”, “é no estadual que se vive a rivalidade”. Cada lugar comum destes preencharia mais que o dobro da capacidade de armazenamento que me é oferecida nesta hospedaria virtual.

Se eu preciso resumir, eu convidaria para a leitura de “Olaria – a Conquista da Taça de Bronze”, de Marcelo Paes. Escrito agora, certamente pesquisado em bons meses ou anos, e trazendo uma disputa de 1981. E que o futebol não é um jogo da televisão – é uma existência anterior, exterior e, quem sabe, superior.

(Olaria x Audax, na Rua Bariri – estádio Antônio Mourão Vieira Filho, dia 19/01, dará início a mais um ato de resistência contra o que Milton Santos chamou, por outro viés que não o futebol, de “globaritarismo”)

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