River Plate 2×1 Boca Juniors, no Monumental, domingo. A carga emotiva se oferece pela volta do chamado superclássico, após uma temporada de B Nacional para a equipe de Nuñez. Certo que um interlocutor das minhas visitas ao Enrique Sexto, para ver o General Lamadrid, antecipara, um dia antes, que não sentia no ar a euforia de outrora. Segundo ele, sua primeira visita a um estádio se deu em 1948, e outros interlocutores já me anunciaram ter sido ele um dos fundadores do clube de Villa Devoto, em 1960. Antes que se aponte uma nostalgia deslocada, faz bem observar que apesar de todo o calor que a imprensa tenta transmitir ao duelo, apesar de toda a complicação para adquirir uma entrada – o cronista também falha e observa este jogo pela TV -, o pulso na cidade não entregava a prévia de um River x Boca, durante a semana, e o domingo não alterou o rumo, salvo para aqueles, obviedade óbvia, que se encontravam no estádio.

Quem possa ter visto Maradona, Francescoli e outros tantos nas formações das equipes, deve realmente frustrar-se com o estado atual da coisa. E nada disso em tom de ranço melancólico de uma época anterior muito melhor ou quaisquer lugares comuns que sejam prezados. As duas formações são limitadas além de todas as contas, não realizam um bom torneio, dificilmente disputarão o título – o melhor deles, agora, é o Boca, a sete pontos do primeiro colocado, a sete rodadas do fim. Se cabe algum nome em campo, é de David Trezeguet.

Na semana anterior ao jogo, o rapaz franco-argentino andou por terras europeias, a resolver problemas pessoais, como sempre são justificadas as ausências de jogadores em treinamentos. Se por isso ou não, se por minha errada leitura do jogo, era estranhamente notável uma quantidade de passes que poderiam ter sido feitos a ele e acabaram para outro atleta, mesmo sendo a pior opção. Esta sempre boba embora eficaz teoria da conspiração pouco ou nada pesaria num jogo de 2×1 a favor.

Com exceção do pênalti convertido pelo uruguaio Silva e mais algumas chegadas sem desenho, o Boca justificava o melhor jogo do River e a vitória millonaria. Uma alegria pelo terceiro gol se abriu, em boa jogada do bom jogador da tarde, o uruguaio Mora, e ficou em suspense por uma defesa complicada de Orion.

crotoque

Quarenta e cinco do segundo tempo, Lunatti indica três de acréscimo, bola no ataque, o River celebra. Um cruzamento, Trezeguet tem o uruguaio Sánchez ao seu lado e apenas um defensor diante de si. Pode dominar, passar para o companheiro, esperar o passe de volta, amarrar a partida. De primeira, num movimento já característico seu, um voleio, o mesmo do golaço contra o Ferro Carril, na temporada passada, ou do mais famoso, pela França, na final da Eurocopa 2000, contra a Itália. Até se assemelha mais a este, o lance no Monumental, pois a bola vem mais rasteira e é um chute de esquerda – contra o Ferro, um voleio de fora da área, de direita, numa bola vinda direta do escanteio.

O chute pega no defensor, o meio campo do Boca fica com o rebote, conduz a bola, um passe chega ao lado ofensivo direito, alguém lança na área, Silva aguenta o tranco do zagueiro, toca na bola com o peito ou com a cabeça, ela sobra, fica numa dividia rasteira entre o goleiro Barovero e Erviti. 2×2.

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