Apesar da dificuldade de se definir o que venha a ser um clube grande, aceitarei alguns valores previamente estabelecidos para tentar entender a ausência e a presença de certas cores.

Começo por onde o futebol não começou para a humanidade, mas para mim. Recorro os chamados grandes clubes: Corinthiansm São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG, Internacional e Grêmio. Entre as duas maiores torcidas e os dois maiores vencedores do Campeonato Brasileiro (desde 1971, convenhamos), nada verde. Campeão do Mundo (ou Intercontinental), tampouco. Libertadores, sim: Palmeiras. Se incluímos a esperança tricolor-carioca, ficamos em matemáticos 2/12. Aumentaríamos o número se o Coritiba, campeão brasileiro de 1985, tivesse conquistado a Copa do Brasil em 2011 e 2012, situações em que se viu segundo, após perder para Vasco e Palmeiras, respectivamente. Ainda assim, alguém poderia contestar a inclusão do Coxa Branca entre os grandes. Outro tema.

Na Argentina, dizem, há cinco forças: River Plate, Boca Juniors, San Lorenzo, Racing e Independiente. Há vermelho em três e azul também em três (o San Lorenzo, na versão barcelonesca do azulgrená, é o unificador). Nenhum tricolor. Se quiserem incluir o multicampeão Estudiantes de La Plata, o agora acostumado a vencer Vélez Sarsfield e o de boa torcida Huracán, ampliaremos para cinco vermelhos e quatro azuis. Indo ao interior, os dois grandes de Rosario: Central (amarelo e azul) e o rubronegro Newell’s Old Boys. Para evitar frustração total, recuperemos o Ferro Carril Oeste, há alguns anos militando na segunda divisão, porém eterno ganhador de 1982 e 1884.

Cruzo o oceano e Portugal já postula salvar a cor: Sporting Lisboa. Embora seja o time que mais me mova por aquelas terras, é inegável reconhecer a supremacia benfiquista, na capital, e a companhia do Porto, na nação.

Ainda ibérico, não é necessário refletir muito para deter-se em Real Madrid e Barcelona, de modo que logo passo para a Itália. Campioníssima, a Juventus, alvinegra. Os milaneses, todos com negro, seja junto ao vermelho ou ao azul.

A França salva. O maior campeão é o Saint-Étienne, verde. O problema é convencer as novas gerações de que um time que não vence desde 1981 é maior que Olympique de Marseille. Para quem pense em Paris Saint-Germain, recordemos que o time de capital possui apenas dois títulos da Ligue 1. Já o Lyon, sete vezes campeão, começou sua série somente em 2002. Definimos a grandeza pelo passado do Saint-Étienne o pelo presente do Lyon?

Ao atravessar o Canal da Mancha, encontramos vermelho de vários tons em todos os lados: Manchester United, Liverpool e Arsenal. Os atuais milionários, Manchester City e Chelsea, azuis. O alvinegro Newcastle United arrancou com tudo, e, desde 1927, não conquista a primeira divisão. O Everton, azul de Liverpool, deve orgulhar-se de ter sido inspiração para o Everton chileno – um azul e ouro nos moldes do Boca Juniors.

Diretamente para a Alemanha, a situação preocupa. O Bayern München é o gigante solitário, com 22 títulos nacionais, alguns torneios internacionais e um bocado de Copa da Alemanha. O Nürnberg, que não desfila no hall dos grandes, possui nove títulos nacionais e isso lhe confere o segundo posto. Se o que define a grandeza é a massa – que paga como sócio –, então o Bayern segue primeiro, com 175.000 contra 109.796 do Schalke 04, azul.

O futebol, provavelmente, já era disputado na Grécia Antiga, de maneira que a coisa de iniciara com o verde Panathinaikos. Ainda assim, todo o fanatismo e história não lhe proporcionaram tanto êxito para além dos confins das ilhas. Um vicecampeonato europeu, em 1971, quando caíram diante do Ajax, vermelho. Não bastasse, o Ajax não quis disputar a Intercontinental, e o verde grego acabou, uma vez mais, vice, ao perder para o Nacional, do Uruguai. E a Europa parece querer respostas desta ordem, quando envia um campeão do Leste de nome Estrela Vermelha. Nisso, a América do Sul foi mais provocativa, com a resposta do Atlético Nacional de Medellín, verde, campeão da Libertadores 1989.

Ao considerar a Copa do Mundo, dimunuímos o impacto. Os dois maiores campeões, Brasil e Itália, possuem verde. No entanto, para não arriscar, ganharam os torneios jogando de amarelo ou azul. A terceira maior potência, a Alemanha, perdeu a Copa de 1986 jogando justamente de verde. Quatro anos mais tarde, contra o mesmo rival, a Argentina, vingou-se – de branco, claro.

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