No seu suplemento esportivo do dia 27 de abril do corrente, um grande jornal argentino publicava a foto de Diego Simeone, virtualmente encarando Marcelo Bielsa. Justiça, pois os dois classificavam-se, com suas respectivas equipes espanholas, para a final europeia B. Na quarta capa do mesmo suplemento, a goleada de 6×0 do Midland sobre o Defensores Unidos, pela Primera C (quarta divisão). O placar se justificava, porque a maioria dos jogadores da equipe visitante não chegara a tempo, devido ao trânsito interrompido por manifestantes. A partida começou com apenas 8 atletas do Defensores, que, na falta de material, usaram a camisa reserva do Midland.

Durante General Lamadrid 1×3 Flandria, no Enrique Sexto, para um público que certamente não chegou a 300 pessoas, escutei dois diálogos entre os atletas da equipe vencedora. Num primeiro escanteio, um falou rapidinho e baixinho, „dos contra uno, dos contra uno“, mas a jogada não prosperou. Na segunda vez, minutos depois, o anunciante deixou seu companheiro bater direto, e, enquanto a bola ainda viajava, elogiou, „qué grande centro, gordo“. Após a cabeçada indefensável, continuou com o mesmo elogio, agora abraçado ao colega.

O Tigre é líder do campeonato, ao lado do Boca Juniors. Como o rebaixamento, aqui, é por média dos últimos três anos, o clube briga para não cair. Tento ser mais claro: o Tigre, ao mesmo tempo, tenta ser campeão e não jogar a Série B. Nada mais argentino.

O mais importante jornal esportivo do país realiza uma enquete, que eles chamam de cadastro, para saber qual as maiores torcidas do país, sem deixar margens a dúvidas. Entre os primeiros colocados, está o grande Talleres de Córdoba, campeão da última Conmebol, em 1999, derrotando o forte CSA, de Alagoas, na final. Vale dizer que, dos três maiores clubes da segunda maior cidade do país, o Talleres é quem vive o pior momento, disputando a terceira divisão, enquanto Belgrano segue na primeira e o Instituto, seu maior rival, lidera a B Nacional.

O ataque do River Plate, na segunda divisão, é Cavenaghi e Trézéguet (isso, o franco-argentino, campeão mundial). O do Vélez, que disputa a Libertadores, é Juan Manuel „El Burrito“ Martínez e Óbolo – podendo ser Lucas Pratto, no seu lugar. O do Boca Juniors, também na competição intracontinental, é Santiago Silva e Mouche.

O futebol é paricalmente subsidiado pelo governo – ou diriam que há contratos específicos – e os dez jogos da rodada passam em TV aberta. No mercado, compra-se menos com mais, a cada dia. O apoio popular ao governo, porém, vai na faixa de 60%. Dizem que vai tudo muito bem com a soja, mas que começa a faltar grama.

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