Apresentava-se-me como o terceiro jogo, em três dias. Uma segunda-feira em que, aproveitando a véspera do dia do trabalhador, o governo decretou feriado, para simplificar as coisas. Há críticas a isso, e soam às vezes um pouco assonantes com os elogios ao capital, que andam fazendo de pólo a pólo.

Um partidaço, pelo menos por conta das aspirações da equipe visitante, o Rosario Central. O anfitrião Ferro Carril Oeste esperava pouca coisa, suas possibilidades matemáticas de subir para a primeira divisão eram tão remotas quanto as suas chances de marcar um gol: possui o segundo pior ataque do campeonato. Compensa, a sua defesa, a terceira menos vazada.

Deram-nos sol, após dois dias escuros, e se isso fosse algum sinal, que aproveitássemos. O Huracán 2×0 Atlético Tucumán, no sábado, quis dar sono; no domingo, Argentinos Jrs. 0X0 Atlético Rafaela, não teve jeito: mais que sono. Jogo que se disputou no Diego Armando Maradona, estádio que abrigaria a partida de segunda, porque a casa do Verdolaga não está apta para receber visitas.

Ninguém faltou, e tínhamos, de um lado, as arquibancadas verde, do outro, amarelo e azul. E nas expectativas, anularam qualquer rivalidade, quando ingressou ao gramado um senhor de 75 anos, boina negra e andar um pouco arrastado. Entregaram-lhe uma placa comemorativa, e, junto ao seu ex ajudante de campo, saiu para uma volta olímpica. Em três cores, bradou-se Vení vení cantá conmigo que un amigo vas a encontrar que de la mano de Timoteo todos la vuelta vamos a dar. Treinador, campeão com o Central, em 1973, com o Ferro, em 82 e 84. Era um momento incapaz de adjetivos.

Logo, arrancou a partida, e tudo seguiu bastante equilibrado, com uma bola na trave que voltou na mão do goleiro do Ferro, e duas boas defesas do arqueiro rival. Ainda durante o primeiro tempo, a torcida Verdolaga se divertia com as três tentativas falhadas dos rosarinos de abrir seu bandeirão. O escrito „Los Guerreros“ aparecia, sempre, de cabeça para baixo. O que não se podia entender era como, após a primeira falha, poderiam repetir o erro.

O segundo tempo teve de ser paralisado, para que dois torcedores do Central, sentados em cima do alambrado, fossem colocados para baixo. Era também difícil de entender como chegaram ali sem terem sidos impedidos pela polícia, e, até, como alguém conseguia ficar sentado em cima de um lugar onde há arame farpado. Jogo recomeçado, o Central deixou claro qual seria sua postura: fechar-se, e apostar num contragolpe. Deu certo, mais que certo, porque os dois gols foram marcados por jogadores que haviam entrado ao longo da etapa final.

Nao sei se o homenageado, Carlos Timoteo Grigol, preferiria o empate, para não exigir escolhas do seu coração. Certamente, haveria uma admiração e um contentamento, ao ver o trabalho feito desde um banco que um dia fora seu.

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