Qualquer dimensão entre aquele Boca Juniors 1×2 Fluminense, em La Bombonera, e este tímido e corriqueiro jogo no Engenhão, diante dos mesmos argentinos, fortalecidos por Schiavi e enfraquecidos pela ausência de Riquelme, cairia no exagero de contrapor cores e nomes. É certo, azul e ouro; verde, grená e branco. Nada mais. Jogávamos classificados; jogavam entendendo a suficiência do empate, com a segurança de uma última rodada diante do fraco Zamora. Nada mais.

Há muitos sábios, e um deles dirá que o Fluminense jogou apático. Outros, penso que maioria, acusarão a soberbia. O sistema tático, foi isso. Também o imponderável, elemento atribuído a qualquer jogo de futebol em que o Barcelona não seja um dos times em campo. O Barcelona espanhol, ou catalão, para não mexer nos brios. Imaginemos que em Guayaquil há oscilações diferentes. O indiscutível é a derrota. Um gol no primeiro tempo, em chutão e boas falhas da defesa. No segundo tempo, sem chutão e só com falhas, o 0x2 final. Tivemos a honra de perder um pênalti. Segundo fontes fidedignas, Orion, o goleiro bostero, pegou a bola antes do chute de Rafael Moura. Um duelo entre He-Man e Orion, convenhamos, é uma anacrônica disputa entre guerreiros.

Antes do apital final, apenas He-Man fora vaiado, o que eu, ali, demorei a perceber. Se o time está classficado, se possui vaga na final do Carioca, se não há crise, mas trabalho em andamento (chegará ao futebol o work in progress), o que se vaia? Somente em casa me veio a ideia, a romana ideia, da humilhante derrota do nosso herói contra aquele imenso e milenar Orion.

Fim de jogo, a vaia se expandiu. E nem ali nem cá, posso compreender este gesto. Não sei se sofro de síndrome de asperger. Uma justificativa. Não sei se me vejo mais torcedor que consumidor, a acusar a falha do produto que me foi entregue: não comprei ingresso para torcer, paguei isso para ganhar. Não sei se me perco holisticamente nas minhas visões de futebol.

Quando alguém lida tão de perto com a escrita, quando alguém lida tão de dentro com a escrita, em que já não se sabe se somos nós que entramos nela ou se ela quem nos corta e se converte em camada intravenosa, apenas o texto escrito oferece a chance de uma compreensão. E se nem isso soluciona o problema, já não sei mais ao que e a quem recorrer.

Fico apenas com este dado, esta ação: vaias a um time vencedor.

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