Assim: quatro partidas, dois empates, duas vitórias. Esse o meu desempenho como espectador da AlbinoLeffe, que disputa a Série B do Campeonato Italiano. Disputa com muita força, porque o medo de voltar para C aumenta a cada rodada.

Jogam no estádio da Atalanta de Bergamo, o Atleti Azurri d’Italia, porque o seu, humilde, na cidade vizinha de Albino, não é habilitado para a segunda divisão. São sempre dois fins de semana quase que diametralmente opostos: uma Atalanta que leva mais de 20 mil tifosi; para AlbinoLeffe, podem ser, às vezes, menos de 1000. Uma equipe que briga pelo título de honra – e sobretudo pelo título de fato, o acesso à Série A – e outra que, como dito, capenga para evitar o descenso.

Mas, comigo quase em campo, a coisa andava bem: derrotaram a fortíssima Novara, e conseguiram um empate contra a perigosa Vicenza. Equipes que estão no bolo para jogar os playoffs de acesso. Agora, o Torino. Tradicional rival da Juventus. No banco da AlbinoLeffe, Emiliano Mondonico, treinador que levou o Torino ao seu último êxito, alcançando, até, uma final de Europa. Decerto que não têm mais nada a ver com o Grande Torino, aquele time que, após vencer e vencer, faleceu num desastre de avião, nos anos 40; mas é, ainda assim, uma camisa merecedora de respeito.

Embalados por duas vitórias seguidas, os visitantes começam tentando esmagar a pobre AlbinoLeffe. Perdem um gol mais que certo, após o bandeirinha não apontar um aparente impedimento. O juiz parece mesmo jogar com os visitantes. Deixa de dar um pênalti para os locais, apita muitas faltas, distribui amarelos com critérios diferentes para cada lado. Estou lá, quieto, rodeado de alguns torcedores do Torino, mesmo estando na parte destinada à tribuna da equipe da casa.

Bola alçada na área, o atacante do Torino cabecea para o céu. A bola faz uma parábola como aquelas dos livros didáticos de matemática. Perfeita; e lenta. Moleza para o goleiro, se não fosse ele o goleiro da AlbinoLeffe. Tive mesmo a impressão de que o goleiro desenhava uma espécie de linha pontilhada, que acompanhava, por baixo, a parábola principal. 0x1.

Intervalo. Com o calor de mais de 30 graus, numa partida jogada entre as 15 e as 17 horas, nada do tradicional café do estádio, no bar onde se encontra uma foto do sueco Strömberg, mago da mágica Atalanta, dos anos 90, deixando o alemão Andreas Brehme, da Internazionale, no chão. Perto do caixa, outra foto, a mesma posta no verso dos ingressos da Atalanta: Strömberg, abraçando Caniggia. Ao lado, Evair, aquele ex-Palmeiras, Vasco, Figueirense, com um sorriso meio sem graça.

O segundo tempo começa com uma série de escanteios a favor da equipe da casa. Se o empate não sai agora, não sai mais. Chute, cabeçada, trombada, vai tudo. Só não vai bola para o gol. Outro escanteio, outro mais. Cobranças curtas, diretas, tentativa de jogadas ensaiadas. Até que o cobrador percebe o óbvio: o goleiro do Torino é o Rubinho, ex-Corinthians. Uma bola em curva, na direção do gol. O brasileiro sai mal, não toca a bola e um zagueiro da AlbinoLeffe escora para o gol. É seguir na luta e virar este jogo.

O Torino só se defende, não consegue um ataque sequer. Até os 87 minutos. Um contraataque. 1×2.

Enquanto deixava o estádio, com a decepção da minha primeira derrota, escutava o locutor informar os demais resultados da rodada. Estávamos a um ponto do rebaixamento direto.

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