Julian Schieber é um alemão nascido a 13 de fevereiro de 1989, nas cercanias de Stuttgart. Começou sua carreira em times menores, até chegar, ainda nas categorias de base, ao próprio VfB Stuttgart. Por este mesmo clube, debutou como profissional, em 2008, atuando pelo VfB Stuttgart II, que disputa a terceira divisão alemã. Seu bom rendimento fez com que fosse incorporado à equipe principal, ainda no mesmo ano. Seu primeiro gol, no entanto, veio somente no início de 2009, numa partida contra o SC Freiburg. Começava a despontar como um centroavante interessante, cujas características poderiam suprir a perda do então titular e ídolo Mario Gomez, que se transferira para o rival FC Bayern München, por imensa quantia, algo como 30 milhões de euros, é dizer: na época, um Mario Gomez valia o que vale hoje meio Fernando Torres, segundo o mercado internacional de jogadores.

Nunca fui um entusiasta de Julian Schieber, ao contrário de boa parte da torcida do Stuttgart, mas isso não significava nada mais que uma espera minha, menos como esperança, mas sim aguardamento. A língua alemã, como a inglesa, resolve bem isso: warten (to wait) não é hoffen (to hope). Algum linguista haverá de alertar-me para alguma diferenciação etimológica das coincidentes formas esperar e esperar, na língua portuguesa. Pouco importa, pois certo é que Schieber e os dirigentes estavam preocupados mesmo é com o valor. Não aquele, do Gomez.

Um jovem atacante, convocado para a seleção nacional sub-21. No elenco, após a contratação do russo Pavel Pogrebnyak e das permanências de Cacau, entrementes convertido alemão, e Ciprian Marica, da seleção romena, Schieber teria poucos minutos em campo. Pensando nisso, ficou acertado seu empréstimo ao 1. FC Nürnberg, que na temporada passada beirou a segunda divisão: disputou a repescagem contra o FC Augsburg, e salvou-se do descenso. Na clásula contratual, nenhuma opção de compra por parte do clube locatário. O VfB Stuttgart estava convicto: é bom, vai ganhar minutos lá, e volta.

Schieber não é Rivaldo, Nürnberg não é Mogi Mirim, e, ainda que fossem, aqui o costume de jogador emprestado não atuar contra o locador ainda não chegou, ou já sei foi, vai saber. Portanto, jogo em Nürnberg, contra o VfB Stuttgart, e o centroavante, camisa 23, em campo. Um gol, uma assistência, e sua equipe vence por 2×1. Acontece.

Passa-se um turno inteiro. Na zona de rebaixamento, o VfB recebe Schieber e seus colegas, a 12 de fevereiro de 2011. O 1. FC Nürnberg desfila tranquilo pela tabela da Bundesliga, sabe que a permanência é questão de rodadas. Já possuem quase a mesma pontuação obtida na temporada passada inteira. Schieber, um dos destaques desta boa campanha, também sabe seu provável destino: Stuttgart. Assim, uma partida na Mercedes-Benz Arena é, mais que um reencontro, o início de uma readaptação. Mas, condenar-se a si mesmo?

Ajudar o Nürnberg a conquistar a vitória seria quase como ajudar a decretar a segunda divisão como seu próprio futuro, haja vista que as pernas do VfB Stuttgart dificilmente resistirão a uma diferença de pontos ainda maior para as equipes fora da zona de rebaixamento. Não ajudar o seu atual clube a derrotar o seu ex e futuro time seria um movimento antiético, seria uma atitude contra si mesmo?

O que realmente pensou Schieber, não sei. Primeiro, não o conheço, e, se o conhecesse, ele bem me poderia mentir. Isso se a mentira é, claro, uma dissonância entre o pensamento e a enunciação. Não sei. Mas vi, in loco, um gol seu, um passe para outro gol, após deixar seu ex e futuro colega Serdar Tasci mal com a torcida, e os visitantes meterem um humilhante 1×4, com direito à bola na trave, a situações perdidas e tudo mais.

Agora, Julian Schieber que aproveite seus dias de primeira divisão, porque a segunda está cada vez mais próxima. Ainda que ele more, e jogue, longe.

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