Mais que o nome da capital dos Estados Unidos da América, Washington sempre foi, para mim, nascido em 1979, referência de área, camisa 9 do Fluminense. Também, um colega de escola, a quem zombávamos por causa da cabeça grande. Anos depois, surgiu-me ainda um terceiro, atacante como o primeiro, mas de cores bem diferentes, por que não dizer, antagônicas mesmo. Tinha uma faixa negra na frente da camisa, como o Vasco. Ali, ainda não era um destaque.

Ficou mais conhecido do grande público devido a um problema cardiovascular. Na época, chegou a ter a carreira ameaçada, mas deu a volta por cima, como gostam de dizer por aí, e, após seu retorno, atingiu a marca de 34 gols no Campeonato Brasileiro de 2004, sendo artilheiro e estabelecendo um record, quando atuava pelo rubro-negro Atlético-PR. Foi parar no Japão, e o perdi de vista.

Em certo Mudial Interclubes, já na Era das semifinais com africanos ou asiáticos, Washington voltou aos olhos da nação brasileira. Foi artilheiro com 3 gols e seu Urawa Red Diamonds terminou em terceiro.

Se isso tudo transcorria à margem dos meus maiores interesses, em 2008 resolveu a coisa mudar-se de rumo. Washington era anunciado como o nosso centroavante para a disputa da Libertadores. Numa certa entrevista, explicou sua saída do clube japonês, citando a fase dourada com o treinador alemão Guido Buchwald, aquele mesmo que, ainda jogador, marcou Maradona na final da Copa de 90.

Eu estava entusiasmado com a contratação, e de longe, pois justo após a primeira partida da Libertadores viajei para a Alemanha, por estudos, acompanhei a brilhante exibição do nosso segundo Washington, como uma prova de que chegava, enfim, a nossa década, após os vídeos dos anos 80 já mais que estarem na memória, por tanta repetição.

Qualquer tricolor, morto ou vivo ou ainda por nascer, ajoelhou-se diante do gigante camisa 9, depois dos gols contra o São Paulo, nas quartas-de-final, e contra o então temido Boca Juniors, na semi-final. O primeiro, uma cabeçada com a mão de João de Deus, que, mais esperto que Deus, transformou sua mão em cabeça, ao contrário daquela pseudofarsa maradoniana. O segundo, abriu a virada contra a equipe argentina, no Maracanã, dando nosso lugar na final.

No ano seguinte, o filho da puta do Washington trocou de tricolor e foi para o São Paulo, declarando já nem mais se lembrar daquele gol de cabeça.

Não teve sucesso na equipe paulista, e em 2010, por nossa fidalguia, aceitamo-lo de volta. Deixamos claro, porém, que se tratava de uma mera peça de reposição, por conta do nosso frequentemente lesionado atual 9, Fred. Sem Libertadores, o êxito do agora menos “Coração Valente” foi menor. Ainda assim, esteve no grupo campeão brasileiro.

Aposentou-se com o número 99 às costas.

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