Comecei a frequentar os jogos do VfB Stuttgart no ano de 2008, tendo mantido uma série inicial de 6 vitórias e um empate. Era animador, e enviasse o meu currículo ao clube, provável que me dessem entradas gratuitas, uma espécie de talismã, melhor até que o Tupãzinho na época de Corinthians.

Mas isso, deveria ter feito antes do jogo oito da minha carreira como espectador da Bundesliga. Um jogo considerado fácil, o 1. FC Köln não assusta ninguém faz um tempo. A data exata, não lembro, mas verificando o site da equipe suábia, sei que foi dia primeiro de novembro de 2008. Não fazia frio, disso lembro. Coisas de pouca importância, se tenho daquele dia o bisonho gol do português Petit, já nos acréscimos, que decretou a vitória visitante por 3×1.

Um pouco do jogo. Na memória, digo. Jogou-se mal, muito mal, e em nenhum momento pareceu que o VfB pudesse vencer naquele dia. Mais claro ficou quando já andava a coisa 0x2. Aí – que para o comerical antecipa o vipe vaporub, e para o meu amigo poeta, “não é/ advérbio, aqui/ cariocas/ usam-no para chamar a/ atenção dos outros.” –, pois bem, aí surge Robert Hilbert, nem ele sabe como, e o 1×2 vira tremenda esperança de salvar aquilo com um ponto.

Esperança de torcedor, claro, porque na base do totó – pebolim, em São Paulo, metegol, na Argentina, Tischfußball, na Alemanha – não parecia que a coisa pudesse mesmo verter-se em um 2×2. E, como anunciado acima, não foi mesmo. Tudo porque, num recuo do goleiro (!) para o mesmo Robert Hilbert, que vai saber por que estava dentro da pequena área, este escorrega, toca levemente na bola, que cai nos pés do português Petit, diante de um gol sem goleiro e com um Hilbert no chão.

Naquele dia, voltei para casa com a chateação da perda da invencibilidade.

Não durou um ano para a minha revanche. E aquela seguia sendo a minha única derrota em jogos da Bundesliga. Tivera uma derrota contra o Arsenal da Inglaterra, mero amistoso, e a queda diante do Sevilla, pela Champion’s League, ainda não havia chegado. O Köln agora vinha com mais respeito. Podolski, sem muito prestígio no Bayern München, voltou para seu clube natal. Imaginem, um time daquele com jogador de seleção, e ex-Bayern.

Basta dizer que Podolski não jogou nada. Tampouco o VfB, numa partida que terminou 0x2, com mais um gol ridículo no final. Lançamento – chutão – do defesa do Köln, Lehman, renomado goleiro que viera encerrar sua carreira aqui, domina a bola, digo, quase domina, fora da área, bem fora da área, ela escapa, Sanou fica com ela, manda para o gol.

Volto para casa pensando se valeria retornar para outro eventual VfB Stuttgart x 1. FC Köln. Pois essas coisas funcionam, sabe qualquer torcedor. E provo até: após inúmeras derrotas contra o Vasco, nos anos 90, decidi não ir ao Fluminense x Vasco do segundo turno da segunda fase do Estadual de 95. Estávamos tantos pontos atrás, que só uma milagrosa vitória nos daria o famoso verde da esperança. Na mais alta ética de torcedor, fiquei em casa. E vencemos, 3×2, gol de Leonardo, que barrara ninguém menos que Ézio, aquele.

Passou mais de um ano, um pouco mais, e o Köln voltaria a Stuttgart. Por conta das obras no estádio, anda difícil conseguir entradas, e como não me ocupei disso antes, tenho adquirio bilhetes apenas para a Haupttribüne (Tribuna Principal), algo bastante dispendioso. Assim, comprara somente bilhetes para os jogos contra o Werder Bremen e TSG 1899 Hoffenheim, que são mais disputados.

Fico aqui apenas até fevereiro, tenho poquíssimas rodadas antes da viagem. Não vou deixar passar um jogo por causa de supertições. Inclusive, se é válido, o fato de eu estar por ir embora me dará a alegria de ver este Köln derrotado. O próprio resultado da partida anterior, contra o Werder, 6×0, já dizia isso. Ainda, a equipe de Podolski – sim, ele segue lá – se encontrava na última colocação. Popular agora ou nunca.

O VfB domina amplamente o jogo. Cacau, que quando cheguei era brasileiro e agora é alemão, obriga o colombiano Faryd Mondragon, perto dos seus 80 anos, a fazer grande defesa. Podolski nem dá notícia. Dos seus companheiros, apenas o zagueiro Geromel, ainda brasileiro, se destaca. Hoje é nosso.

Oitenta e dois minutos. Novakovic agarra o zagueiro do VfB Stuttgart, Niedermeier, dentro da área. O juiz não vacila, pênalti. Para o Köln. Nem adianta protestar, roubo é roubo, ou erro é erro, o que seja. Podolski, 0x1.

Puta que pariu.

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