É domingo. Pela hora, é domingo em qualquer lugar do mundo, mesmo que isso seja Sonntag, sunday, domenica, niedziela ou outra coisa. Há lugares onde certamente chove, e com eles não divido nada, já que da minha janela vejo um surpreendente e agradável sol de novembro, que, aqui – e esse advérbio parece uma provocação – é longe do usual, pois o domingo é de novembro. Em outras épocas, já havia mesmo neve, temperaturas baixas, quase constante noite. Até provável que algum jogo do VfB Stuttgart. Ou: recupero.

No dia 14 de novembro de 2009, portanto o 14 de novembro mais próximo, salientemos isso, estava eu em Hamburgo para Alemanha x Finlândia. O Fluminense agonizava no Campeonato Brasileiro. O Vasco da Gama, por sua vez, já concretizara a despedida do Inferno, e dava apenas últimas passagens, uma espécie de festas de despedidas, que de festa tinha pouco. Na Argentina, acontecia algo do qual não me lembro – e não ousarei despistar o leitor com pesquisas de última hora.

Eu não sabia, mas Mateo já havia nascido, e Dioniso (ou Dionyso?) não era sequer cogitado. Havia outras coisas que eu não sabia, coisas pequenas, talvez. Nem sei mesmo se as sei, agora. Há quem nomeie eventos desse tipo de descoberta. Quanta pretensão temos. E melhor a termos.

Exigem que o cronista, e mesmo para isso o chamam cronista, fale das coisas de agora, daquilo que aceitamos como atualidade. Parece mesmo que a pretensão é um abuso maior que ela própria. Pois bem: o Fluminense terá os torcedores ajoelhados diante do Goiás. Embora o empate ainda mantenha a equipe na sofrida luta pelo título, a situação da equipe centro-brasileira nos exige ter estes três pontos, se quisermos enfrentar os últimos três jogos com menos faca neste pescoço de veias tão saltadas.

Aqui – quanto abuso meu –, o VfB Stuttgart descansa, após ter entregado um jogo ontem. Ganhava por 3×0, em Kaiserslautern, deixou o empate chegar e rezou a não derrota. Acompanhei pela internet, sem áudio nem imagem. Na semana anterior, havia estado num frio 6×0 contra o Werder Bremen.

Na Argentina, o Vélez Sarsfield recebe o Lanús e joga todas as suas fichas no empate em pontos com o Estudiantes de La Plata, de modo que possam chegar ao jogo extra, em campo neutro.

Quando eu apertar o botão que confirma a publicação deste texto, nenhum desses jogos terá começado. Mesmo assim, alguém certamente estará aos prantos. Mesmo que outro se cague de rir.

E eu?

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