A minha estreia em estádios se deu em 1990, num Flamengo 0x1 Fluminense. Fui levado por um amigo da minha mãe, e meu retorno a estádios só ocorreu dois anos mais tarde, acompanhado de amigos da mesma idade. Isso, aos 12 anos comecei a ir com amigos ou mesmo sozinho a estádios. Na época, nada mais que Maracanã e Laranjeiras, que, sabemos, são Mário Filho e Álvaro Chaves. Houve, ali pelo meios dos anos 90, algumas vezes na Gávea e um, apenas um, Caio Martins. 1994, Fluminense 1×1 Palmeiras (gol do Edmundo).

Sem muito rigor, sem conferir minha lista, penso que a primeira vez que deixei este ciruito foi em 2005, quando acompanhei a vitoriosa campanha tricolor no Carioca. Falhei apenas uma vez, numa partida em Campos, contra o Americano. Fora isso, fui a Rua Bariri, a Nova Friburgo, ao estádio da Portuguesa, na Ilha do Governador.

Fora do país, tive a estreia em 2006, num River Plate 2×1 Quilmes. Por diversas razões, a Argentina passou a ocupar algum lugar de destaque no meu ranking de espectador. Em 2007, por exemplo, foram 27 jogos em 32 dias. Também neste país, na cidade de La Plata, vi o Fluminense pela primeira e até hoje única vez fora do Estado do Rio de Janeiro: eliminados pelo Gimnasia y Esgrima local, 2×0. Cabe dizer: Tuta, o nosso nove, abriu o placar com uma bela cabeçada (contra).

O único Estado a me receber, além do Rio de Janeiro, foi São Paulo. Em 2007, com 7 jogos em 10 dias. Embora eu não tenha ido ao Pacaembu, houve certos momentos fortes, como o Juventus 0x0 Madureira, pela Série do Brasileirão. Além de ter sido um jogo na Mooca, eu já vira este mesmo encontro, semanas antes, em Madureira. Também a Vila Belmiro, num dia de chuva, cabe a citação (Santos 0x2 Náutico). Meu amigo poeta quererá ainda o Palmeiras 3×2 Vasco da Gama (os cariocas abriram 0x2), no Palestra Itália. Não somente por ele ser vascaíno, mas sim por ser jogo com uma forte recordação para ele, que justo a este confronto, neste estádio, assistira anos antes.

Talvez alguém leia este texto como uma espécie de autogabação do autor, o que seria grave. Imaginem, seria como ler Camões pensando em viagens, só em viagens, e esquecer o amor. Isso, ensinou-me meu amigo poeta. E, se a ele pude eu ensinar alguma coisa, então que tenha sido ver futebol onde se deve, ou seja, no estádio. Temos nossos limites, sejam financeiros, obrigações com trabalho, limites geográficos até; mas tudo, e eu digo com bastante propriedade, tudo deve ser feito para se chegar a um estádio. (Não é que ele não fora a estádios antes, que fique isso clara; talvez, eu tenha redimensionado).

Assim, após 18 anos (se desconsidero aquele isolado jogo de 1990), praticamente ininterruptos de visitas a estádios, acumulei 499 jogos. A expectativa é que o 500 se dê em Berlim, numa partida da segunda divisão alemã entre FC Union Berlin x MSV Duisburg.

Nestes anos, pude realizar aquilo que costumamos chamar de sonho de criança ou adoslescência, como ver partidas da Champion’s League, ver um jogo no Camp Nou (Barcelona 3×2 Bétis) ou entre seleções europeias (Alemanha 1×1 Finlândia). Também, coisas jamais imaginadas, como um amistoso oficial entre o Steaua Bururesti e o Genclerbirligi, da Turquia, na capital romena.

Até estes 499 jogos, foram 50 estádios em 7 países; a alegria de clássicos como River Plate x Boca Juniors, Benfica x Sporting Lisboa, VfB Stuttgart x Bayern München, Espanyol x Barcelona; partidas de primeira, segunda e terceira divisões; grandes públicos e estádios vazios.

Ademais, seria impossível, aqui, mencionar as imensas companhias que tive, desde pessoas conhecidas a pessoas que conheci ali, no calor (ou no frio) do jogo, pessoas com quem compartir abraços, choros, insultos.

 

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