River Plate

Minha história com a equipe portenha começa, de fato, com uma oposição. Sem qualquer grande motivo, sempre fui avesso ao Boca Juniors, tanto que, numa partida de Libertadores, creio que em 1991, torci para o Flamengo (Flamengo!) num mata-mata contra os Xeneizes. Pela televisão, vi o 2×1 rubro-negro, num gol de cabeça marcado pelo Gaúcho. Nessa época, transmitiam jogos direto do Maracanã. Não havia TV a cabo e pay-per-view. No segundo jogo, os jogadores do Flamengo levantavam os braços e saíam quietos, quando havia alguma situação de rixa com os argentinos. Queriam evitar expulsões. Talvez tenham evitado, não me recordo Mas os 3×0 a favor do Boca eliminou a equipe carioca e acabou com minha alegria. A cada gol bostero, o porteiro do meu prédio, Severino, um botafoguense, comemorava. Até o segundo gol, cheguei a colocar resistência e gritei “Mengo!” (Mengo!). Por sorte, nesses momentos nos cabe dizer algo como “Não me importa, sou Fluminense”.

Será alguma metafísica. Anos mais tarde, fui descobrir que, de uma forma ou de outra, o Boca equivaleria ao Flamengo argentino, e o River Plate seria uma espécie de Fluminense, portando, inclusive, um apelido que bem nos caberia, Millonarios. Isso não chega a ser uma boa medida, porque o São Paulo me parece mais riverplatense, e nós, humildes tricolores carioca, temos lá nossa ligação com o Vélez Sarsfield. Bem se sabe que equivalências possuem medidas muitas, e dela falamos em outra oportunidade.

Fora um Enzo Francescoli, o River só me despertava interesse quando enfrentava alguma equipe brasileira. Por essas coisas estranhas, o futebol argentino nunca teve grande entrada no Brasil, a não ser, claro, nas competições continentais. E essa situação só veio a alterar-se em 2002, quando estive em Buenos Aires pela primeira vez. A situação brasileira, no entanto, alterou um pouco recentemente, com a transmissão de jogos do Campeonato Argentino – via TV a cabo. Mas como dito em algum lugar deste mundo, futebol se joga no campo – e se gosta o campo.

Em 2006, numa segunda viagem a Buenos Aires, comprei o jornal e vi que o River Plate enfretaria o Quilmes, pelo Apertura. No site da equipe millonaria, encontrei informações precisas quanto ao preço, dia e local de venda, horário, tudo isso. Convidei uma amiga argentina, torcedora do River, e combinamos para o meu primeiro domingo no Monumental de Nuñez.

Era setembro e os dias frios começavam a se despedir de Buenos Aires. Num domingo de sol, vesti uma camiseta de basquete da seleção argentina e fiquei numa esquina próxima ao Monumental, esperando minha amiga. Os ingressos eu havia adquirido na quinta-feira. Assim que ela chegou, caminhamos em direção ao estádio.

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