Um alvoroço. Não há outro assunto nos bares, nas barracas de coco, nas barbearias, que não seja o retorno do América à primeira divisão. Opinam torcedores de todos os clubes, mesmo os de outros Estados. Há casos, não raros, de estrangeiros, europeus, sul-americanos e até orientais, que palpitam sobre esse feito. Nas capas de jornal, a mesma coisa.

Parece que o ano de 2010 ainda não reservou nada demais – ou nada mais. A contagem regressiva em Copacabana tem o intuito de criar uma maior tensão ao primeiro jogo do América como integrante da primeira divisão do Campeonato Carioca. Há disfarces e desculpas, claro. Há gente afirmando que conta pela paz e pelo mundo melhor.

Balela. Todos querem sangue.

Já foi anunciado o minuto de silêncio em homenagem a Zé Carlos, o ex-goleiro do Flamengo que ocupou um cargo decisivo na campanha de recuperação de uma das mais tradicionais equipes do país. Sua morte não é só perda ou ausência. Sua morte, e isso afirmam todos, é injustiça. Na verdade, nem todos.

Certo grupo ligado a diversas igrejas cariocas andou falando em justiça. Divina, evidente. Dizem eles que qualquer soldado que sirva ao Diabo será, de um modo ou de outro, mais cedo ou mais tarde, penalizado. Houve contestações, houve gente levantando o dedo e dando exemplos de americanos que tiveram uma vida digna e honrosa, apesar de toda sua dedicação ao Diabo. Os religiosos logo explicaram, sem titubeios, que o pagamento da dívida viria no Inferno. Com o acesso dos americanos à primeira divisão, essa tese corre riscos de virar pó.

No meio de tanta discussão e polêmica, até meu amigo poeta se pronunciou. Prometeu estar de vermelho no dia da estréia do América. E só atenderá telefonemas que sejam para Pedro.

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