1999, Barcelona, apito na boca de Pierluigi Collina, inicia-se uma final de Champion’s League. Numa sala na Tijuca, discuto com amigos sobre um projeto, formar uma nova banda de música. Televisão ligada, e a tensão de ver o Bayern de Munique conquistar o título logo se acomodada com o gol de Mario Basler, aos seis minutos. Tudo passa a ser entrevista.

Final de jogo, interrompe-se a reunião para os minutos finais. Acréscimos. Escanteio para o Manchester United, gol. Com praticamente todos os pontos resolvidos entre nós, a prorrogação ganha o status de única final, embora os comentários de uma decisão por pênaltis não se abandone, por conta das sempre imperdoáveis agonias. Escanteio para o Manchester United. Samuel Kuffour, o zagueiro ganês com a camisa cinza do Bayern de Munique, reage mal, não reage, não se reage. Gol. Gol norueguês. Solskjær. Vencem os ingleses, com o sangue do encarnado.

Ainda haverá aquele a se levantar e declarar que de nada adiantam as memórias ou as cores ou os emblemas. Quem haveria de estar ante os meus olhos, num sábado à tarde, em Stuttgart? O único remanescente daquela final era Markus Babbel, já fora do Bayern e fora do campo. E ainda sob enormes ameaças de perder o emprego, pois não vai bem das pernas o seu VfB Stuttgart. Sequer o vermelho da minha camisa se aproximava àquele dos ingleses. E, às minhas costas, versava um nome russo, nada de Noruega. Se eu bem prestei atenção, sequer havia noruegueses em campo. Ainda, uma grade entre mim e os torcedores do Bayern, dispostos do meu lado esquerdo. Se cabe, diz-se: nada de Champion’s League. Bundesliga, turno, e um clássico do sul da Alemanha.

Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram.

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