Alguns torcedores menos atentos podem não lembrar de Atlético-PR x Fluminense, em 2007, pela Copa do Brasil. Qualquer torcedor mais ou menos atento se recorda deste jogo. Torcedor do Fluminense, quero dizer. Os do Furacão talvez pensem mais em São Caetano, seis anos antes. Ou até no próprio Fluminense, em meados dos anos 90, nas Laranjeiras. Os mais antigos quererão uma lembrança da transferência da dupla Washington e Assis. E ainda haverá quem fale de outra partida. Fico mesmo no jogo de 2007.

Sequer assisti ao vivo àquele jogo. Naquela quarta-feira, o Rio de Janeiro recebia uruguaios, que, como sempre, gostavam de falar em Maracanazo. Nada de seleção. O Flamengo tinha uma tarefa dificílima. Após cair em Montevidéu, por 3×0, teria de, pelo menos, igualar o placar para chegar a disputa dos tiros livres diretos. Nada de Peñarol ou Nacional. A coisa era mesmo com o Defensor, uma equipe vista com os olhos da humildade. Fui ao Maracanã ver aquilo de perto.

Existia envolvimento meu com o jogo. Acompanhado de uma amiga flamenguista, observava aquilo tudo, aquele Maracanã cheio, aquela esperança após os dois primeiros gols, a pressão absurda sofrida pelos uruguaios, com um time realmente fraco, incapaz de entender como pudera haver vencido com resultado tão cômodo no jogo de ida. Para que a coisa não fosse menos tensa, havia ainda a rodada da Copa do Brasil, jogos de volta, gente sendo eliminada, gente passando de fase. O placar do Maracanã anunciava, gol a gol, as alterações destes jogos. Não fazia muito efeito, a preocupação dos flamenguistas era imensamente outra.

A cada entrada de “Suderj informa“, eu aguardava apreensivo o movimento do placar. Em Curitiba, a tarefa de se classificar era praticamente impossível. O Fluminense não demonstrava boa equipe, e havia empatado em 1×1 o jogo de ida, neste mesmo – ou quase mesmo, havia outras cores, bem lembro – Maracanã. Não aparecer o resultado do jogo significaria 0x0, significaria, então, estar eliminado.

Seguiam os cânticos de apoio ao Flamengo, cada vez mais angustiados, cada vez mais calados pelo medo daquele terceiro gol, tão evidente, não sair do ambiente do desejo. Seguia o placar dizendo coisas desinteressantes. Coisas que não importavam nem a eles nem a mim, muito menos a uruguaios. Nem minha amiga nem eu possuíamos celular, o que me impedia de confirmar com algum amigo aquele placar ignorando o jogo de Curitiba.

O Flamengo tinha um jogador interessante, de nome Renato. Não sei por onde anda. Talvez, em algum buraco no Oriente Médio, na Ásia, no Leste Europeu. Renato dava esperanças a cada falta. E ainda, bem me recordo, acertava uns bons chutes de fora da área. Com aquele goleiro uruguaio, a confiança flamenguista decerto aumentava.

Mais um “Suderj, informa“. Aquilo cumpria só uma função laboral, uma função digna do dever ser informar, pois a atenção daquela rodada da Copa do Brasil era ínfima, para uma equipe a um gol entre a esperança do pênalti e a eliminação da Libertadores. O placar começa a se movimentar. Sobem as letras. “Em Curitiba“. Em Curitiba! É a eliminação tricolor, anunciada como abraço aos flamenguistas, consolo menor, mas consolo, sempre. Não podemos ganhar do Furacão na Arena da Baixada, sei disso, lembro de 2001, aquela derrota nas semi-finais, naquela fase eliminatória em que só houve jogos de ida. E isso que, naquele mesmo ano, havíamos derrotado o Furacão na Arena da Baixada, num praticamente desnecessário jogo de turno, gol do voltante Sidney, homem sempre as voltas com seus cabelos. As letras no placar param de subir. Acima, Atlético-PR 0, abaixo, Fluminense 1. Ao lado de “Em Curitiba“, a indicação de jogo “em andamento“.

Saio do Maracanã em meio a flamenguistas cabisbaixos, inconformados. Alguns reconheciam o esforço do time, repetiam a máxima, “perdemos foi lá no Uruguai“. Sem a informação final do jogo em Curitiba, procurei um orelhão e telefonei para meu amigo poeta. 0X1 confirmado, Fluminense elimina o Furacão na Arena da Baixada. Adriano Magrao.

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